terça-feira, novembro 29, 2005

Exposição "Artur de Magalhães Basto – Historiador do Porto"

Perdoem-me os leitores do Portuense, mas não posso deixar de fazer referência a esta exposição sobre uma pessoa que tanto me diz.

Estará patente ao público, entre 29 de Novembro de 2005 e 29 de Janeiro de 2006, uma exposição na galeria da Biblioteca Almeida Garrett – Palácio de Cristal, inserida no programa da Homenagem ao Dr. Artur de Magalhães Basto (1894-1960) promovida pela Universidade do Porto.



O homenageado foi figura de referência das letras portuenses. Destacou-se como docente da primeira Faculdade de Letras da Universidade do Porto, extinta em 1931, onde ensinou Geografia e História. O gosto pelo Magistério levou-o ainda a trabalhar em alguns estabelecimentos do ensino secundário da cidade, com destaque para o antigo Colégio João de Deus. Desde cedo, mostrou interesse particular pela História, apesar de a sua formação de base se situar no campo jurídico (licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa – 1922). Destacou-se enquanto responsável maior pelos arquivos da cidade do Porto: foi Director do Gabinete de História da cidade – hoje Arquivo Histórico Municipal, Director do Arquivo Distrital e Chefe do Cartório da Santa Casa da Misericórdia. No exercício destas funções, para além de deixar marcas da sua personalidade impar, testemunhada pelos muitos louvores que a sua acção foi colhendo, a sua maior virtude foi a de conseguir dar vida a muitos documentos que a “poeira dos arquivos” destas instituições escondeu por largo tempo.

O homenageado, pelo seu persistente trabalho conseguiu transmitir-nos um importante legado sobre a História do Porto, difícil de igualar pela quantidade, pela novidade, pela originalidade mas sobretudo pela capacidade crítica que revela em muitos dos seus textos, artigos, livros e na sequência de 1445 crónicas semanais publicadas no Jornal “O Primeiro de Janeiro”, ininterruptamente, entre 1930 e 1960. Em todos os domínios temáticos conseguiu deixar abundantes contributos para a História Local. Imprimiu ainda dinâmica própria à revista “O Tripeiro” e ao Boletim Cultural da Camâra Municipal do Porto”, periódicos que soube dirigir no melhor sentido. Registamos também a sua aproximação e abertura às principais instituições de formato cultural do seu tempo, às quais não negou colaboração empenhada. Assim aconteceu com o Ateneu Comercial do Porto, com o Clube Fenianos Portuenses e com o Clube Portuense, espaços onde em várias ocasiões mostrou a sua faceta de escutado conferencista.

Informação retirada do site da UP

Prós & Contras

O Prós e Contras é um espaço de debate que já ganhou reputação tal que tem sempre convidados de elevada importância neste país. Nãohá praticamente um programa que não leve lá um ministro para debater assuntos relacionados com a sua actividade. O Prós & Contras de ontem não foi excepção. Estiveram lá presenteso ministro Mário Lino, o presidente da Câmara de Lisboa Carmona Rodrigues, o presidente da Tap Fernando Pinto e um especialista no tema prof. Viegas e, em part-time, Ludgero Marques.

Deste P&C, tirei as seguintes notas:
- basta um "pequeno" desvio no custo da obra para que se ponha em causa a viabilidade da mesma.
- Fernando Pinto prevê que o aeroporto de Pedras Rubras possa ser também um mini-hub... mas logo a seguir já falavam em como as pessoas do Porto facilmente chegariam a Ota de comboio...
- o "shuttle" que irá fazer em 17 minutos a ligação entre a Gare do Oriente e a Ota irá utilizar a linha do Oriente, pressupondo o menor fluxo nessa linha com o TGV (não sabia que o Pendular ia ser abandonado... depois do investimento brutal que foi feito nos últimos anos)
- os yes men na plateia a babarem-se por cada gracinha do sr. Lino

- o sr. Lino a comparar 70 (?) km de metro no Porto com os 35 de Lisboa, quando se esquece que se quer fazer essa comparação tem de incluir as linhas de Sintra e Cascais nas contas;
- Carmona Rodrigues muito mal preparado para a discussão (ainda para mais sabendo que foi ministro das obras públicas há bem pouco tempo)
- Foi Ludgero Marques que teve de dar a car a defender os nossos pontos de vista e interesses.
- Onde estava Rui Rio? Não esquecer que é presidente da Junta Metropolitana.

Lá, tal como cá...

Derrapagem orçamental no Metro de Lisboa

Tribunal de Contas detectou um custo acrescido de 61 por cento na construção da linha amarela, mais 128 milhões de euros do que o inicialmente previsto.


A derrapagem dos custos do metropolitano compreendem o período 1998-2005 por falta de estudos comparativos sobre a eficiência de custos, diz o TC, que acusa ainda a administração de ter avançado com concursos públicos sem ter os projectos devidamente desenvolvidos.
O relatório refere ainda que o dinheiro atribuído nos vários Orçamentos de Estado, desde 1997, nunca foi suficiente para as necessidades do projecto e que as receitas provenientes dos bilhetes e passes não chegam para cobrir os custos das obras entre o Campo Grande e Odivelas.

Sr. Lino, toca a tomar posse administrativa da Metro de Lisboa!!

segunda-feira, novembro 28, 2005

O futuro do Mercado Bolhão

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O mercado do Bolhão está outra vez no centro das atenções. Depois da Porto Vivo apresentar a sua proposta para aquele local, chegou a vez da oposição dar a sua opinião. Negativa, está claro.

Como já tinha comentado anteriormente, esta proposta da Porto Vivo tem aspectos interessantes (a ideia de o dinamizar tanto de dia como de noite) e outros que me levantam algumas dúvidas (possibilidade de haver cobertura ao R/c e a questão da volumetria não estar muito clara).
A principal crítica da oposição é que não faz sentido reduzir a dimensão do mercado quando se pretende levar pessoas a viver na Baixa. Claro que não faz. No entanto, o que me parece óbvio é que a situação actual não pode continuar e que existem muitos comerciantes que já não vendem produtos adequados ao mercado do Bolhão. Algumas bancas mais parecem a feira de Custóias. Portanto, centre-se o piso térreo nas actividades próprias de um mercado: frutas, legumes, peixaria, talho, etc e e aproveite-se o piso de cima para outras actividades.
Aguardemos por mais novidades sobre este tema.

Paulo Morais diz que chumbou "vigarices" de 550 milhões

Depois da entrevista ao 1º de Janeiro, Paulo Morais foi à rádio Festival dizer o mesmo: há forte corrupção no urbanismo da maioria das cidades de Portugal. O JN fez um artigo com as principais afirmações do ex-vereador de urbanismo do Porto:

Voltando à corrupção, o ex-autarca afirmou que há muitas influências das "estruturas do poder" nos pelouros do Urbanismo de todo o país. E insistiu que os promotores imobiliários "financiam as campanhas dos partidos e também a vida privada de alguns políticos que dependem disso para sobreviver". Favores que acabam por ser pagos com pressões ilegítimas.
"Quem está neste lugar tem de ter o máximo cuidado para que nada se aprove sem cumprir as regras de planeamento", avisou, salientando que existe uma "aliança perversa" que assenta num tripé de promotores imobiliários, arquitectos e escritórios de advogados. Os promotores financiam os partidos, os arquitectos dão nome a projectos que são "perfeitas aberrações" e os advogados "formatam juridicamente todo o processo", explicou.
"Não é por acaso que as casas no Porto são tão caras, não é por acaso que se constrói em locais que não eram para construir", acrescentou Morais, ciente de que "não há uma solução única para o problema". A resolução pode, contudo, estar na "simplificação da legislação do urbanismo", afirmou, desafiando o Governo e o Parlamento a simplificar a legislação.

Depois de todas estas acusações vai ficar tudo na mesma? A única coisa que eu acho que vai acontecer é a travessia do deserto durante muitos anos por parte de Paulo Morais... o que é uma pena.

ANA contradiz o 1º Ministro e o próprio presidente...

O aeroporto da Ota vai tirar passageiros ao Porto, mas o valor "é marginal", diz a ANA - Aeroportos. Os estudos desenvolvidos pela gestora das infra-estruturas aeroportuárias nacionais realçam que ao alargar a zona de influência do futuro aeroporto de Lisboa, o número de habitantes que ficam a uma distância de 90 minutos dele é alargado para 3,8 milhões, e calcula-se que o Aeroporto Sá Carneiro vá perder cerca de 56,2 mil passageiros, que a partir de 2017 passam a ficar mais perto da Ota. (No DN)

Recordo o que foi dito naquela bilhante sessão de propraganda de apresentação do maior elefante branco nacional, o Aeroporto da Ota:
"Afastada por Sócrates e pelo presidente da NAER - Novo Aeroporto de Lisboa foi a possibilidade de a Ota "esvaziar" o Aeroporto Sá Carneiro. "Quanto muito, a Ota vai tirar tráfego a Madrid"

domingo, novembro 27, 2005

Google News

O Google não pára de inovar. Recentemente lançou um novo serviço: O Google News Portugal.
Está fantástico!

O fuso horário

Para quem não leu o artigo de opinião de Jorge Fiel no Expresso da semana passada:

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ACABO de confirmar uma coisa de que já desconfiava há muito tempo - Porto e Lisboa regem-se por diferentes fusos horários.
Emigrado em Lisboa há dois anos, estabeleci uma rotina para as minhas deslocações pendulares semanais entre as duas cidades.
Todas as segundas-feiras embarco às 7h20, nas Devesas, no Alfa 122 (2º classe, lugar no sentido na marcha).
Todas as sextas regresso ao Porto, embarcando às 17h04 na Gare do Oriente no Alfa 133.
A necessidade excepcional de estar no Porto por volta das nove da manhã de ontem, obrigou-me a alterar a rotina.
Na consulta aos horários dos comboios encontrei as primeiras provas da existência de um fuso horário diferente a servir as duas principais cidades do nosso país. O primeiro comboio de Lisboa para o Porto parte às 7h04 do Oriente. O primeiro comboio do Porto para Lisboa sai de Campanhã às 6h15, ou seja, cerca de uma hora antes.
Resignei-me a marcar lugar para o último Alfa da noite de quinta. Mas não resisti a uma investigação mais aprofundada da questão. A prova dos nove chegou-me num telefonema para a Portugália. O primeiro voo da manhã de Lisboa para o Porto é às sete. O primeiro avião da manhã para Lisboa descola às seis de Pedras Rubras.
Esta diferença de uma hora entre a primeira ligação diária dos transportes públicos entre Porto e Lisboa é apenas aparente. Na verdade, os primeiros comboios e aviões partem de Lisboa e Porto ao mesmo tempo. Só que às seis da manhã no Porto já são sete em Lisboa. Esta foi a minha grande descoberta da semana.
Há uma hora de diferença (pelo menos) no ritmo de vida das duas cidades que, por um motivo que me escapa, teima em não se reflectir nos relógios e na hora oficial.
O OE 2006 é «o orçamento do apertão», que maximiza as receitas fiscais, comprime as despesas e reduz o investimento. Mas na espuma da discussão, os partidos e comentadores negligenciaram a questão que nunca esquecem nas noites eleitorais - a de saber quem ganha e quem perde.
O PIDDAC, sigla-palavrão que designa os investimentos da administração central no desenvolvimento, levou um apertão de 30%, mas nestas coisas de apertões há sempre uns que são mais apertados do que os outros.
Pondo a lente de aumentar nos números pequenos do PIDDAC (que se manteve estranhamente de fora da ribalta do debate orçamental) vemos que o Norte, apesar de ter sido a região mais fustigada pela recessão, é quem mais sofre.
As verbas destinadas à Região Norte caem 46% entre 2005 e 2006 - seguida do Algarve (quebra de 34%), do Alentejo (31%) e de Lisboa (30%). E faz com que o Norte passe a registar a mais baixa capitação de despesa com investimento público (258 euros).
Nesta semana em que Mário Lino, o «apparatchik» de Sócrates, lançou uma ofensiva demagógica sobre os gastos do Metro do Porto, será bom lembrar como é que o Governo socialista distribuiu o nosso dinheiro (a título de indemnizações compensatórias) pelas empresas de transportes públicos do Porto e de Lisboa.
A Carris de Lisboa recebe 42,5 milhões de euros, ou seja quase o triplo que a STCP (15,2 milhões). Não consta que Lisboa tenha o triplo de habitantes e passageiros de autocarros que o Porto.
O Metro de Lisboa recebe 21,3 milhões de euros, dez vezes mais que os 2,3 milhões atribuídos ao Metro do Porto.
E a Soflusa e Transtejo, as duas empresas que operam barcos no Tejo, vão receber nove milhões de euros - quatro vezes mais que o Metro do Porto.
Os números não mentem. Porto e Lisboa estão separados por um fuso horário invisível mas também por dois pesos e duas medidas- bem visíveis, à vista desarmada.
Para Sócrates, há uma filha e um enteado.

Entrevista de Paulo Morais ao "O Primeiro de Janeiro"

"Muitos planos directores municipais não passam de bolsas de terreno"

Paulo Morais, mais uma vez, não foge às perguntas polémicas. Vale bem a pena ler e esperar pelas reacções...

Quando é que soube, como soube e quem é que lhe disse que não seria reconduzido na Câmara Municipal do Porto? Foi apanhado de surpresa?
Não, nada. Sabe que a política em Portugal está preparada para pessoas que fazem da política a sua carreira, para os profissionais da política. Está preparada para pessoas dependentes do sistema, está preparada para todos os que dependem desta lógica que hoje temos de poder muito assente em dois partidos: PSD e PS, e sobretudo não tanto nos partidos mas nas suas classes dirigentes. Essas classes habituaram-se a criar uma organização de assalto ao poder, em boa verdade, e encontrar mecanismos de se eternizar no poder. Este sistema não está preparado para mentes livres e independentes. Este sistema acaba por rejeitar todos os que ocupam cargos públicos numa postura independente, portanto não houve da minha parte qualquer tipo de surpresa. Foi numa conversa com o Presidente da Câmara e com o partido que se chegou à conclusão que não era possível eu continuar na autarquia.

Nem ficou zangado com Rui Rio?
Não, não fiquei zangado, e sobre essa matéria eu fiz um voto de silêncio, e penso que o silêncio é também uma forma de expressão.

Como encontrou o pelouro do urbanismo quando lho foi ter às mãos?
Eu fiquei com o pelouro do urbanismo já a menos de um ano do final do mandato. Houve necessidade de fazer uma remodelação no governo da câmara, pela saída do arquitecto Ricardo Figueiredo, de quem sou amigo há muitos anos, mas ele saiu e havia que reformular o executivo. O Presidente pediu para que eu ficasse com o pelouro, eu aceitei, e foi mais uma missão de algum sacrifício, porque no fundo acabei por ter quase todos os pelouros da autarquia. Tinha a habitação, a acção social, a mobilidade, o urbanismo…, como é sabido eu não sou de virar a cara à luta, estou sempre disponível nos bons e nos maus momentos para enfrentar os desafios. Não obstante o grande esforço que tinha vindo a ser feito pelo meu antecessor, de facto eu encontrei o urbanismo, nomeadamente na área do licenciamento, numa situação difícil. Tinha sido feito um grande plano de ordenamento, o PDM estava pronto mas ao nível do licenciamento e ao nível da fiscalização a situação era de facto difícil. Quando eu chego ao pelouro nem se sabia quantos processos estavam em tramitação. Posso dizer que eram cinco mil e quinhentos os processos atrasados no licenciamento da autarquia. Conseguimos reduzir esta pendência a cerca de mais de metade, através da reestruturação total dos serviços. Aliás havia necessidade de colocar alguma ordem porque eu quando fui para lá os promotores, os próprios técnicos dos promotores imobiliários conseguiam entrar nos serviços de uma forma quase livre, o que era absolutamente inadmissível. Coloquei alguma ordem naquela casa, porque o urbanismo não pertence a ninguém, não pertence a quem lá trabalha e muito menos aos agentes imobiliários que não podem dispor da direcção do urbanismo como se fosse a casa deles. Tive de criar um sistema de entradas e saídas com cartões, com outra segurança porque o urbanismo da Câmara Municipal do Porto pertence ao povo do Porto e quem deve tomar conta daquilo é o vereador do urbanismo, e é assim que eu entendo, e foi nesta perspectiva que se iniciou um processo de reestruturação ao nível do planeamento, que já vinha de trás, e também ao nível do licenciamento tinha que se criar uma máquina de análises de processos que fosse rápida, justa, transparente e com critérios claros.

Foi aí que se apercebeu dos grupos de pressão e da corrupção?
Infelizmente esse para mim não era um assunto novo. Os portugueses já estão habituados a lidar com a corrupção na área do urbanismo há muitos anos. Eu também tinha conhecimento desses factos.

São os alegados «tabuleiros de Xadrês» espalhados pelas casas de muitos políticos?
Exactamente. E se fossem só tabuleiros de Xadrez não estaríamos mal. O problema é que estamos a falar de milhões de contos. Penso que durante a minha passagem pelo pelouro do urbanismo terei chumbado, impedido negociatas e vigarices na ordem dos quinhentos e cinquenta milhões de euros. Estamos a falar de muito dinheiro. Seriam vigarices que se teriam concretizado, e quando estão em jogo negócios desta ordem, então as forças organizam-se de forma a tomarem por dentro os partidos para terem um poder que lhes permita dominar a administração em benefício próprio. Sejamos mais claros: muitos promotores imobiliários financiam a vida politica e partidária para que depois os políticos, financiados por eles, e que estão no aparelho de Estado, na Administração Central ou local, façam a gestão pública não em função do interesse da população mas em função do interesse de quem os sustenta, como bom dever de gratidão.

Os concursos públicos são para «inglês ver»?
Muitas das vezes, mas isso nem sequer é o mais grave. O pior é a má gestão urbanística que hoje está no cerne de muitos defeitos da nossa democracia. Quando eu posso aprovar um prédio de seis andares, mas se de forma ilegítima e sem respeito pelo planeamento aprovar um de dez estou a transferir para a mão de privados algo que é público e uns larguíssimos milhões de contos. Quando isto se faz, os cidadãos raramente se apercebem porque o projecto é aprovado «hoje» e a construção só se verifica passados quatro anos. O que quer dizer que quando os cidadãos se apercebem da vigarice que foi feita já é tarde demais, porque depois há os direitos adquiridos.

É por causa desse tipo de coisa que os planos directores municipais (PDM’s) às vezes andam anos atrasados…
E muitos planos directores municipais não passam de bolsas de terreno que são elaborados em função de quem é o proprietário dos terrenos. E isto é justo? É justo que se faça o planeamento do país em função de interesses privados? É evidente, que quando estes interesses são assumidos como interesse colectivo faz-se o que se quer, e muitas das vezes na administração o que se faz, ilegitimamente, passa a legítimo, com bons gabinetes de advogados. Naturalmente que tudo é muito bem formatado, muito bem embrulhado. É assumido como público um interesse que afinal não é mais do que privado. E hoje na área do urbanismo há uma aliança perversa entre promotores imobiliários, alguns arquitectos de uma pseudo-esquerda e que por serem de uma pseudo-esquerda vêm branquear projectos imobiliários que são autênticas aberrações, e escritórios de advogados. E é esse tripé que manda hoje, como sempre mandou neste país. Alguns arquitectos que vêm tentar limpar a face do negócio e escritórios de advogados que conseguem formatar juridicamente todos estes embrulhos, isto é uma «santa aliança perversa».

Mais 60 km de auto-estrada até final do ano

Até ao final do ano, a cidade de Guimarães deverá estar ligada por auto-estrada ao IP3 e ao IP4.
A notícia foi dada, ontem, por José Sócrates, durante a inauguração do segundo sublanço da A11.
"Ainda aqui virei no próximo mês para abrir a ligação entre Mondim de Basto a Vila Pouca de Aguiar (IP3), mas também a ligação entre Guimarães e o IP4", disse Sócrates, que sublinhou, no entanto, que a abertura dos troços "se não for feita até ao dia 31 de Dezembro, será nas duas semanas iniciais do mês de Janeiro de 2006". Um investimento de 450 milhões de euros em 60 quilómetros de auto-estrada considerado por Sócrates como "uma verdadeira revolução nas infra-estruturas rodoviárias que está aqui a operar-se".
No JN

O Sócrates a tentar justificar-se mas não é com o betão de auto-estradas que já estavam previstas há anos...

Novidades para o Bolhão

Mercado tradicional apenas no piso inferior do Bolhão, deixando livre o piso superior para restaurantes, lojas e escritórios.
Não é propriamente uma novidade nem me choca esta decisão.

Nesta proposta da Porto Vivo prevêem que as bancas sejam amoviveis de forma a permitir espectáculos fora do horário do mercado. De acordo com as linhas gerais do programa do concurso publico internacional, "Pretende-se uma solução que aposte num horário de funcionamento alargado, de forma a que o equipamento esteja ocupado e com pessoas em horário diurno e nocturno".

O que me parece desagradar na informação que vem publicado no JN de hoje é a possibilidade de se criar um piso intermédio no edifício:
Embora insista na manutenção da fachada e da volumetria do edifício do Bolhão, a SRU admite a "criação de espaço útil adicional" com a construção de um piso intermédio. A instalação de uma cobertura também é aceite, desde que não retire luminosidade natural ao espaço ou prejudique a ventilação.

Mais sobre o Bolhão no JN:
Vendedoras querem pregões e tradição
Bolhão envelhecido

quinta-feira, novembro 24, 2005

Mais uma ajudinha a Lisboa

Nos próximos três anos, o mais importante rali todo-o-terreno vai sair da capital portuguesa. A iniciativa corresponde a um investimento anual de cinco milhões de euros, cabendo ao Estado uma «fatia» de três milhões de euros

TSF

Pedras Rubras

No meio de tudo isto, e se "Lisboa" deixar, pode surgir uma boa oportunidade para o Porto.
Com Lisboa a mais de 50 km do aeroporto (e vão chamá-lo de Aeroporto Internacional de Lisboa!) e o Porto com um aeroporto renovado e com uma ligação directa de metro ao centro da cidade, podemos ser uma boa alternativa a Lisboa para a organização de congressos ou mesmo para as chamadas "short-breaks", duas modalidades de turismo cada vez mais utilizadas pelos europeus.
Para isso, "só" precisamos de evitar que eliminem as ligações directas às principais cidades europeias (algo que os senhores da Ana estarão atentos nos próximos anos para rentabilizar o novo aeroporto...) e termos uma entidade regional (Junta Metropolitana?) a promover a região do Porto nos locais próprios.

Ota 3

Este novo aeroporto assegura 56 mil novos postos de trabalho. E quantos postos se vão perder com o fecho da Portela? Directos e indirectos?
Fizeram as contas?

Líricos... ou Ota 2

Afastada por Sócrates e pelo presidente da NAER - Novo Aeroporto de Lisboa foi a possibilidade de a Ota "esvaziar" o Aeroporto Sá Carneiro. "Quanto muito, a Ota vai tirar tráfego a Madrid", disse Sócrates.
Como é que este gajo chegou a 1º ministro?!?!?!?!?

Guilhermino Rodrigues, por seu turno, garantiu que o Sá Carneiro "perde mais do que ganha com o estrangulamento da Portela" e que a Ota "não condiciona o desenvolvimento do Aeroporto do Porto (ver página 4)."
Sim, sim, e devem ser os estudos que defendem a Ota que dizem isso, não?!

No JN

HAJA PACHORRA!!!

Ota 1

O presidente da Câmara de Lisboa pediu mesmo a realização de um referendo. "Faça-se um referendo em Lisboa ou sugira-se ao Governo que faça um referendo local", defendeu.

No JN

E pensava eu que o dinheiro era de todos os portugueses (já para não falar no impacto negativo que terá a nível nacional)

Projectos para a Baixa já mexem

Dois meses após a abertura ao pública, a Loja da Reabilitação Urbana “está a corresponder às expectativas”. Segundo a Porto Vivo, há uma vasta gama de visitantes estrangeiros, interessados em investir na Baixa e já foram recebidos 18 projectos de reabilitação de edifícios.
no "O Primeiro de Janeiro"

18 projectos? só? não ficaria muito entusiasmado com estes números... a este ritmo, cai tudo de velho na baixa antes de se avançar com as obras...

Finalmente!

Pousada no Freixo vai abrir em 2008.

O estudo prévio de adaptação dos dois edifícios, sob protecção do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) - cujo aval à intervenção é indispensável -, está pronto e prevê a reconversão no interior das antigas moagens, onde nascerão os 75 quartos da unidade da Enatur, e a criação de um túnel de ligação em vidro entre a fábrica e o palácio, para que os hóspedes não tenham de percorrer a distância ao ar livre. "A intervenção no Palácio do Freixo será mínima, quase insignificante. Acolherá zonas públicas, o restaurante e algumas suites. Não haverá alteração nas fachadas dos imóveis", realça José Roquete.

no JN

Nunca consegui compreender como o PS se opôs tanto a este acordo. Esta unidade hoteleira será uma importante mais valia para o turismo no Porto, Bendita a hora em que foi aprovada.

Não consigo compreender...

O JN dá notícia que a linha amarela do Metro teve de sofrer alterações na zona do hospital de S. João porque a administração desta unidade hospitalar se opôs (e com toda a razão!) a terem uma estação do metro à superfície mesmo em frente ao hospital, quando toda a linha desde a estação de S. Bento está enterrada.
Em vez de assumirem fazer a linha amarela terminar debaixo de terra, estes senhores brilhantes da Metro decidiram por outro caminho: vão deslocar a estação de metro do Hospital de S. João para poente, prejudicando a frequência das composições - terá de ser no mínimo em cada 10 minutos, quando actualmente é de 7 minutos!!!

Como é possível pensarem em prejudicar o nível de serviço do metro só para manter a ideia ridícula e teimosa de fazer o metro à superfície?!

Conversas esquecidas

Pimenta Machado – Eu entreguei já os documentos à comunicação social...
Laurentino Dias – Exactamente.
PM – Já falei (imperceptível) essas coisas todas.
LD – Muito bem.
PM – E, portanto, eu o que, o que, realmente, relativamente ao telefonema, em relação a ti, era o seguinte: era ver se conseguias saber, sem pôr em causa a investigação...
LD – Uhm, uhm.
PM – Isso não tem nada a ver, eh, até porque nós estamos completamente à vontade.
LD – Uhm, uhm.
PM – Saber quem é que foi o autor das denúncias.
LD – Isso, isso.
PM – Tás a entender?
LD – Tá bem.
PM – Porque eu penso que a célula do PS na Judiciária é superior ao do PSD.
LD – Tentarei saber. Tá bem?(...)
PM – Eu estou ansioso, exactamente em saber...
LD – Tás com a faca afiada, não é?
PM – Quem serão os filhos da puta, não é?
LD – Tás com a faca afiada. Exactamente.(...)
LD – Mas, os gajos foram aí, concretamente, por causa da, do negócio do Meira, foi?
PM – Não sei. Eles levaram do Meira e mais coisas. Vê lá, levaram muitas coisas.
LD – Ai sim?
PM – Mas, eu só respondi, do Meira, em função do, da notícia do ‘Público’. (...)
PM – Por exemplo, o gajo do ‘Diário de Notícias’, ou ‘Jornal de Notícias’, um tal ..., telefonou-me, a dizer que um contacto dele, na Judiciária, disse que não era só o Meira, mas também os terrenos, q`a gente vendeu. Eu disse, oh pá, venha p`á televisão, também, o, o contrato dos terrenos, também.
LD – Pois. Pois muito bem. Oh pá, vou tentar saber isso, tá bem?
PM – Isso, agradecia-te. E depois, diz-me qualquer coisa.
LD – Digo sim senhor.

Laurentino Dias é, só, o a actual Secretário de Estado do Desporto...
Para mim, o conteúdo desta conversa é gravíssimo. No entanto, não parece que seja para a Judiciária, para os partidos políticos, etc (pudera, com a acusação gravíssima de que existem células do PSD e do PS na Judiciária se eu fosse a eles estava caladinho...). E assim vai o país andando, com a classe política mais preocupada com um secretário de estado que terá sido demitido de vereador em Penamacor por excesso de faltas...